26/05/2021 | Germed Saúde

Casos leves de Covid podem induzir organismo a produzir anticorpos

Pessoas que se recuperaram de casos leves de Covid-19 continuam produzindo anticorpos neutralizantes do coronavírus quase um ano após a infecção, aponta um estudo da Escola de Medicina da Universidade de Washington publicado nesta segunda-feira (24). Entre os achados do estudo está a perspectiva de que tais células podem durar a vida toda.

O estudo explica que durante uma infecção viral, as células imunes produtoras de anticorpos se multiplicam rapidamente e circulam no sangue, elevando os níveis de anticorpos. Assim que a infecção é resolvida, a maioria dessas células morre e os níveis de anticorpos no sangue caem.

Os cientistas da Universidade de Washington descobriram, contudo, que uma pequena população de células produtoras de anticorpos em pacientes que tiveram a forma leve da Covid, chamadas de células plasmáticas de vida longa, migra para a medula óssea, onde continuam secretando baixos níveis de anticorpos na corrente sanguínea. Mesmo que em níveis baixos, tais células são capazes de proteger contra uma segunda infecção.

“No outono passado, houve relatos de que os anticorpos diminuem rapidamente após a infecção com o vírus da Covid-19. A interpretação foi a de que a imunidade não durava muito. Mas é uma interpretação errônea”, disse o autor sênior Ali Ellebedy, professor associado de Patologia e Imunologia, de Medicina e Microbiologia Molecular.

O professor explica que é normal os níveis de anticorpos caírem após a infecção aguda causada pela Covid, mas isso não significa que a imunidade acabou.

"Eles [anticorpos] não chegam a zero [após a infecção], eles apenas se estabilizam. Encontramos células produtoras de anticorpos em pessoas 11 meses após os primeiros sintomas. Essas células viverão e produzirão anticorpos pelo resto da vida dessas pessoas. Essa é uma forte evidência de imunidade de longa duração”, comemora Ellebedy.

Portanto, a chave para descobrir se Covid-19 nos casos leves resulta em proteção de anticorpos de longa duração pode estar, segundo os cientistas, na medula óssea.

O estudo

A equipe de pesquisadores da Universidade de Washington analisou o plasma sanguíneo de 77 pessoas que tiveram a Covid-19. As amostras de sangue desses pacientes eram colhidas em intervalos de três meses, começando cerca de um mês após a infecção. Para efeito de comparação, os cientistas também obtiveram amostras das células da medula óssea de 11 pessoas que nunca tiveram Covid-19.

Casos moderados a graves

Os os pesquisadores acreditam que as pessoas que tiveram a Covid e nunca apresentaram sintomas também podem desenvolver a imunidade de longa duração, mas ainda não foi investigado se aqueles que desenvolveram casos mais graves também adquirem uma imunidade longa.

"A inflamação desempenha um papel importante na forma grave da Covid-19 grave, e muita inflamação pode levar a respostas imunológicas defeituosas", explica o primeiro autor da pesquisa, Jackson Turner, PhD, professor de Patologia e Imunologia.

"(...) não está claro. Precisamos replicar o estudo em pessoas com infecções moderadas a graves para entender se elas estão protegidas contra uma reinfecção por coronavírus”, afirma Turner.

Compartilhe esta notícia

Twitter Facebook